Por Cleu Santos

Na última segunda-feira (18), a Associação Comercial de São Paulo (ACSP), por meio de seu Conselho do Agronegócio, em parceria com a Associação dos Dirigentes de Vendas do Brasil (ADVB), realizou o “Seminário COP30 – uma agenda propositiva”. O evento reuniu lideranças empresariais, especialistas em meio ambiente e representantes do setor agropecuário para debater propostas que serão encaminhadas à COP30, que ocorrerá em novembro, em Belém do Pará.
🌍 Uma agenda para o futuro do agro
Com o objetivo de construir uma pauta sólida entre a COP30 e a COP31, o seminário abordou os principais desafios e compromissos do agronegócio brasileiro frente às mudanças climáticas e à transição energética. A abertura foi conduzida pelo presidente da ACSP, Roberto Ordine, que destacou a relevância do setor:
“É sempre com muita satisfação que participo das reuniões do nosso conselho do agro, um segmento que nos enche de esperança, em relação ao futuro do nosso País.”
👩🌾 Sustentabilidade e educação no campo
A empresária rural Teresa Vendramini ressaltou o papel da agricultura regenerativa e da pecuária brasileira no cenário global. Com 12% do rebanho mundial e responsável por 18% da carne exportada, o Brasil, segundo ela, precisa ampliar sua produção com responsabilidade ambiental. Vendramini também enfatizou a urgência de investimentos em educação e formação de trabalhadores do campo.
🔥 Clima em alerta: “Estamos no limite”
O engenheiro e economista Plinio Nastari fez um alerta contundente:
“Já estamos vivendo o que estava previsto para 2040.” Segundo ele, o Brasil precisa redefinir o conceito de sustentabilidade e adotar políticas públicas que incentivem práticas eficientes, como o uso do ciclo de vida da energia. Nastari também defendeu maior protagonismo brasileiro na COP30, cobrando ações mais efetivas dos países desenvolvidos.
🌐 Marina Grossi: liderança empresarial na COP30
Um dos destaques do seminário foi a participação de Marina Grossi, presidente do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), recentemente nomeada Enviada Especial do Setor Empresarial pela Presidência da COP30. Economista com mais de duas décadas de atuação em clima e finanças sustentáveis, Marina representou o Brasil nas negociações do Protocolo de Kyoto e lidera o CEBDS desde 2010.
Sua presença no evento reforça o papel estratégico do setor empresarial na construção de soluções climáticas.
“Essa nomeação é um reconhecimento do trabalho que temos feito no CEBDS para mobilizar empresas em torno de uma agenda comum, ambiciosa e orientada à ação”, destacou Grossi.
Durante o seminário, ela apontou que o Brasil tem potencial para liderar a produção global de biocombustíveis, mas enfrenta barreiras regulatórias e comerciais que dificultam sua expansão.
“É preciso obter aceitação global para que o País possa avançar com sua capacidade técnica e experiência em soluções sustentáveis.”
📋 Propostas e próximos passos
O ex-secretário da Agricultura de São Paulo, Francisco Graziano, atuou como relator do seminário e compilou as propostas apresentadas. Entre elas, destacam-se:
Criação de políticas públicas voltadas à sustentabilidade
Fortalecimento da educação rural
Incentivo à agricultura regenerativa e ao uso de biocombustíveis
Cobrança internacional por maior responsabilidade ambiental
O evento foi encerrado com o anúncio da criação de um comitê de acompanhamento da COP30, liderado pela ACSP e ADVB, que promoverá novos encontros para aprofundar o debate sobre sustentabilidade no agronegócio.
