
Rafael Angelo Abud e Virgílio N.S.Carvallho*
As mudanças climáticas chegaram no Brasil para ficar. O país tropical de Simonal já não é mais o mesmo e nem tudo são flores nos destinos turísticos. O que prevalecia até bem pouco tempo atrás era a imagem do Brasil sempre associada a sol, calor, hospitalidade, praias, montanhas, rios, dunas e florestas paradisíacas, valorizando mundialmente os nossos destinos de norte a sul e encantando os turistas do mundo todo.
No entanto, fenômenos climáticos extremos como o recente tornado em algumas regiões do Sul – estão impactando a imagem do turismo nacional e lançando um alerta sobre a vulnerabilidade de destinos antes considerados seguros. Em outras palavras, passa a valer as palavras de Milton Nascimento quando cantava profetizando: “sei que nada será como antes amanhã!”…
REFLEXOS DO DESASTRE AMBIENTAL: O episódio, que provocou destruição em cidades turísticas, interrompeu rotas, fechou hotéis, afetou diretamente milhares de pequenos empreendedores, desabrigou milhares de moradores, revelou uma nova realidade para a qual o turismo brasileiro precisa estar melhor preparado para lidar com eventos climáticos cada vez mais intensos, já que essa é a tendência sinalizada pela meteorologia.
Do mesmo modo que a crise do metanol impactou o mercado de bebidas alcoólicas, os desastres ambientais impactam violentamente o turismo, pois na mente dos turistas fica a impressão de que eles podem ser as próximas vítimas.
PRINCIPAIS CONSEQUÊNCIAS: cancelamento de reservas, interrupção de vôos, fechamento temporário de atrações e o bombardeio do noticiário mostrando ao mundo a devastação ambiental, geram prejuízos milionários. Mais grave, porém, é o impacto que causa na sensação de segurança dos visitantes. A imagem de um país tropical acolhedor começa a se confrontar com um cenário de mudanças climáticas reais , frequentes e cada vez mais ameaçadoras.
Como lidar com tudo isso passa a ser a nova batuta do maestro tanto para os governantes, prefeitos, conselhos municipais de turismo, como também para os jornalistas e comunicadores de turismo. Se um barco tem um pequeno furo em um dos lados e está fazendo água, não adianta quem está sentado do outro lado dizer “ainda bem que não é do meu lado!”.
Reconstruir confianças é uma necessidade urgente urgentíssima! O Brasil precisa investir prioritária e permanentemente em planos de prevenção, comunicação de risco e protocolos de emergência específicos para o turismo e a especialização de jornalistas de turismo em Gerenciamento de Crises, minimizando o impacto da divulgação sensacionalista dos desastres para o mundo todo.
Quando conseguirmos fazer que o visitante – nacional e estrangeiro – sinta que o país está preparado para protegê-los, as nossas belezas naturais voltarão a ser belas e atrativas.
Esse conjunto de fatores traz para nós uma grande lição: a solução para isso tudo está no mergulho profundo em estratégias de turismo sustentável, como única solução, a partir das lições extraídas dessas recentes tragédias ambientais, sob pena de passarmos para o mundo todo a imagem decadente de que “nossos espetos são de pau”.
A LIÇÃO QUE FICA DO TORNADO: O tornado que chocou o país deixa uma mensagem clara: não há turismo forte sem segurança climática. Preparar-se para o futuro a partir de agora, além de ser uma urgência – e também uma forma de respeito aos que vivem do turismo e aos que escolhem o Brasil como destino. Recuperar essa imagem é o nosso maior desafio a partir de agora!
CONCLUSÃO: Investir sistematicamente em adaptação e prevenção é garantir que o Brasil continue sendo, apesar dos ventos fortes, um país acolhedor e seguro para receber o mundo e sediar eventos, conquistando e mantendo maior atratividade em relação aos demais países.
• Rafael Angelo Abud é Presidente da BRASILTURIS – Confederação Brasileira de Turismo Sustentável
• Virgílio N. S. Carvalho é Diretor de Planejamento da CnTUR.
