Linkando Negócios > Novidades > Lifestyle > Da sala de aula à COP30

Da sala de aula à COP30

Cleu ao lado de livros e globo terrestre, com a chamada “Da sala de aula à COP30”, em homenagem ao Dia do Professor.

Da sala de aula à COP30

Cleu aposta na educação e no registro de soluções brasileiras para impulsionar a sustentabilidade

Por Cleu MTB 99143/SP

Neste Dia do Professor, apresentadora do Linkando Negócios relembra sua atuação como educadora e apresenta o propósito do Anuário Sustentabilidade que Inspira: documentar práticas que possam contribuir para indicadores, políticas públicas e aplicação efetiva do ESG

Em 1997, quando a sigla ESG ainda não fazia parte do vocabulário empresarial, Cleonice da Silva Santos, conhecida como Cleu, já trabalhava com temas que hoje atravessam a agenda da sustentabilidade. Professora de Meio Ambiente, Matemática Financeira e Física na Escola Estadual Professor André Xavier Gallicho, na Mooca, em São Paulo, ela vivenciou na educação pública uma etapa que permanece conectada à sua atuação como comunicadora. Neste 15 de outubro, Dia do Professor, a apresentadora e produtora do Programa Linkando Negócios revisita essa experiência e destaca a importância de transformar conhecimento em ações capazes de gerar benefícios ambientais, sociais e econômicos.

Cinco anos antes daquela experiência em sala de aula, o Brasil havia sediado a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Eco-92. Realizado no Rio de Janeiro entre 3 e 14 de junho de 1992, o encontro estabeleceu referências para a agenda internacional, como a Agenda 21, a Declaração do Rio e os Princípios sobre Florestas. Também foram abertas para assinatura as convenções sobre mudança do clima e diversidade biológica. Cleu não esteve na conferência, mas sua trajetória como educadora se desenvolveu em um período marcado pela ampliação das discussões sobre a relação entre desenvolvimento econômico, proteção ambiental e responsabilidade social.

Olhando para aquele período, a comunicadora identifica conexões entre as disciplinas que ensinava. A Física permite compreender energia, transformações e fenômenos naturais; a Matemática Financeira oferece instrumentos para analisar custos, investimentos e consequências das decisões ao longo do tempo; e a educação ambiental estimula a reflexão sobre o uso dos recursos e os impactos das atividades humanas. Essa aproximação de conhecimentos ajuda a compreender questões que hoje integram o planejamento de empresas, a formulação de políticas públicas e as escolhas cotidianas da população.

O termo ESG, que reúne as dimensões ambiental, social e de governança, surgiria em 2004, no relatório Who Cares Wins, ligado ao Pacto Global da ONU. A expressão deu maior visibilidade à integração desses fatores nas decisões empresariais e financeiras, embora as preocupações que representa sejam anteriores à sigla. Na educação profissional brasileira, o tema passou a ocupar diferentes espaços, com cursos introdutórios, capacitações práticas e formações voltadas à gestão pública. Entre os exemplos estão ESG na Prática, do Senac São Paulo; Noções Básicas de ESG, do SEST SENAT; e Caminhos para a Sustentabilidade: ESG e Políticas Públicas, da Escola Virtual de Governo.

Na trajetória de Cleu, a comunicação abriu outra possibilidade de participação nesse debate. Em 2025, ela esteve em Belém do Pará para cobrir a COP30 pelo Linkando Negócios, conectando a experiência como professora ao acompanhamento da agenda climática internacional. A conferência realizada na Amazônia brasileira também representa um desdobramento do processo iniciado em 1992: as COPs do clima são as reuniões das partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, acordada naquele ano. Para a apresentadora, esse percurso reforça a necessidade de aproximar as discussões internacionais das experiências e necessidades brasileiras.

Apesar dos acordos e da ampliação do acesso ao conhecimento, o ritmo dos resultados permanece insuficiente. O Relatório dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável de 2025, publicado pela ONU, apontou que apenas 35% das metas com dados disponíveis de tendência estavam no caminho certo ou apresentavam progresso moderado. Cerca de metade avançava lentamente demais, enquanto 18% haviam regredido. O diagnóstico evidencia o desafio de transformar os compromissos da Agenda 2030 em melhorias concretas em áreas como educação, redução das desigualdades, trabalho digno, consumo responsável e proteção ambiental.

É diante desse cenário que Cleu situa a criação do Anuário Sustentabilidade que Inspira, do Linkando Negócios. Seu principal objetivo é registrar o que brasileiros já estão fazendo em empresas, comunidades e instituições, reunindo experiências que possam ser conhecidas, analisadas e aperfeiçoadas. A proposta vai além da divulgação de histórias: pretende construir um acervo de práticas que ofereça referências para a aplicação efetiva do ESG e permita identificar soluções com potencial de alcançar outros territórios e setores.

A expectativa é que os registros possam, futuramente, oferecer subsídios para indicadores, metodologias, políticas públicas e propostas de leis. Para isso, a iniciativa busca favorecer a aproximação entre quem desenvolve soluções e profissionais capazes de estudá-las, avaliar seus resultados e apoiar sua evolução. Pesquisadores, gestores públicos, contadores, empresários e especialistas em sustentabilidade são parte desse diálogo. A relação das experiências com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável também integra a proposta editorial da edição 2026/2027, como forma de estimular a reflexão sobre suas contribuições e possibilidades de multiplicação.

Entre os temas que Cleu deseja colocar em discussão estão a capacitação para elaborar balanços sociais, a qualidade das informações socioambientais e os caminhos para ampliar o acesso de projetos brasileiros às oportunidades relacionadas ao carbono. A preocupação é aproximar o debate técnico da realidade de quem empreende, preserva e desenvolve iniciativas locais. Nesse contexto, o Anuário pretende dar visibilidade a experiências que possam ser avaliadas por especialistas quanto à redução de emissões ou à remoção de carbono. A publicação atua como instrumento de registro e conexão; a eventual geração de créditos depende de metodologias, comprovação e verificação próprias.

Na visão da apresentadora, o Brasil precisa transformar seu patrimônio natural e sua capacidade de inovação em desenvolvimento com benefícios para a população. A ambição é contribuir para um país que reconheça suas soluções, valorize quem preserva e fortaleça sua posição como referência mundial em sustentabilidade. Esse protagonismo, porém, exige associar os recursos naturais à educação, à ciência, ao investimento, à governança e à capacidade de demonstrar resultados. Documentar experiências brasileiras é, para Cleu, uma maneira de colaborar com essa construção e ampliar o reconhecimento de conhecimentos que muitas vezes permanecem restritos aos locais onde surgiram.

A expressão “o que cabe na minha mão” resume o ponto de partida da iniciativa. Com sua experiência em comunicação e articulação de pessoas, Cleu procura registrar práticas, compartilhar aprendizados e criar oportunidades de aproximação entre quem faz e quem pode ajudar a avançar. Da sala de aula na Mooca à cobertura da COP30 em Belém, a educação permanece como parte desse percurso. Neste Dia do Professor, sua trajetória reforça uma convicção: cuidar do planeta é uma condição para o futuro das pessoas e dos negócios, e o conhecimento precisa se traduzir em ação.

Este é um título

Deixe seu comentario

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *